Imaginação

Imaginação “É só sua imaginação!” Quantas vezes escutamos esta frase de consolo de algum parente ou colega ou até de um profissional da saúde quando estamos sofrendo de uma doença que parece não ter explicação científica. Por que aquela resposta nos deixa inconformados e tristes? Porque não passa de uma maneira sutil de dizer: “Na realidade, você não tem doença nenhuma. É só limpar sua imaginação, pensar positivamente e tudo vai ficar bem”. O pressuposto implícito é que a imaginação não é uma realidade e, portanto, só pode ser tratada negando sua existência.
Mas a imaginação é uma parte real e importante de nosso ser. De fato, passamos mais tempo na imaginação do que na realidade do dia a dia. Quem está fazendo a memória do passado ou fica sonhando no futuro está usando a imaginação para viver fora do presente. Quem pensa em pessoas ou objetos que não estão presentes está imaginando. A mãe vive pensando no seu filho ausente, imaginando o que ele estaria fazendo a toda hora. Somente quando ele volta para o lar ela vai viver a realidade da presença dele. Uma pessoa que teme um cachorro bravo sente medo durante horas antes de ter que passar perto dele. O ato de passar perto dura somente alguns segundos. E, freqüentemente, os sentimentos suscitados pela imagem antecipada dum encontro amoroso podem ser bem mais fortes dos experimentados no próprio encontro, se de fato ele vier a acontecer.
O Papa João Paulo II num discurso aos representantes da mídia usou a expressão: “A sociedade de hoje é geralmente dominada pela civilização de imagens”. A TV em particular e agora a Internet exercem um poder enorme por meio das imagens que projetam. Como resultado de seu uso no marketing a maioria dos espectadores chega a consumir produtos que prejudicam a saúde.
Concluímos que a faculdade da imaginação tem a mesma importância de qualquer outra parte de nosso ser. Sua importância para a saúde reside no fato de que cada imagem suscita um jogo de emoções e, como vimos em artigo anterior desta revista, são as emoções que determinam o grau de saúde ou de doença que experimentamos. Por exemplo, o ciúme patológico é uma doença causada por imagens que são mais reais para o ciumento do que a realidade. Ele vê sua esposa conversando com outro homem e logo imagina uma cena na qual ela está indo para a cama com ele. Pode ser o carteiro ou o atendente no supermercado. A mulher ciumenta vê a secretária bonita do marido e logo imagina que ele está tendo um caso com ela. Estas imagens suscitam outros sentimentos: raiva, tristeza, medo, que podem resultar numa doença física ou tentativa de suicídio. Não adianta dizer para uma pessoa assim: “Tudo isto vem de sua imaginação”. Somente um bom tratamento psicológico que descubra e trabalhe as raízes do ciúme pode libertá-la.
Duas pessoas ficam sabendo que têm a mesma doença terminal. Uma delas entra em pânico imaginando sua morte, sofrendo todas as emoções que esta possa suscitar: medo, tristeza, preocupação com a família ou seus negócios, raiva de Deus, etc. Procura tudo que pode ser considerado um tratamento, mesmo aquele que acaba com a qualidade de vida. Já está vivendo uma morte lenta. O outro resolve mudar seu estilo de vida. Confia no poder da natureza e de Deus. Imagina-se ficando cada dia melhor até vencer a doença. Sente confiança, esperança, amor à vida, o apoio amoroso de amigos e parentes. Vai em frente com coragem, gozando de uma boa qualidade de vida. Em ambos os casos o fator decisivo para a escolha entre a vida e a morte é o uso da imaginação.
Nosso desenvolvimento como pessoas humanas e nossa saúde espiritual, emocional e física dependem de nossos relacionamentos, que dependem por sua vez da imagem que temos de nós mesmos, dos outros, do mundo e de Deus. Um homem que se vê como competente na sua profissão, vai ter um relacionamento positivo e relaxado com seu chefe. Mas na hora de ser promovido para um cargo mais responsável pode ficar tenso, imaginando possíveis erros e seu relacionamento com seu chefe torna-se diferente. A filha obediente projeta a imagem de quem sempre diz sim. A filha rebelde, de quem sempre diz não. No dia que a obediente diz não ou a filha rebelde diz sim, a pessoa mais surpreendida pode ser a própria filha, porque sua resposta contradiz sua imagem.
Todos nós temos imagens mais ou menos distorcidas de nós mesmos e como, por exemplo: sou sem valor; sou uma pessoa ruim, sou incompetente. Algumas pessoas baseiam sua identidade nas imagens que querem projetar, por exemplo: o perfeccionista, o moralista, o rabugento, o sempre feliz, o indeciso. É uma maneira neurótica de comunicar: “Sou assim mesmo e não posso ser diferente. Portanto vocês têm que me aceitar como sou”. Não passa de uma máscara. E as máscaras podem ser abaixadas, tiradas e jogadas fora. Podem ser trocadas conforme as circunstâncias. É por isso que existe o santo da rua que é também o demônio da casa, que na realidade não é nem santo nem demônio, mas um ser humano usando duas máscaras diferentes.
A primeira imagem que formamos de outra pessoa e os sentimentos suscitados por ela podem ser negativos ou positivos dependendo da imagem que projetamos e das imagens de outras pessoas gravadas no nosso inconsciente. Somente com a convivência vamos descobrir quais eram falsas e quais verdadeiras. O caso clássico do poder de decepção das imagens é quando duas pessoas experimentam a paixão do “amor à primeira vista”. Ambas sentem-se atraídas por uma imagem da outra que não é verdadeira porque não admite imperfeições. Mais tarde elas descobrem a verdade, o que pode levar à decepção, à separação ou a um amor profundo e estável.
De onde vem as imagens de si e dos outros?
Começam a ser formadas na primeira infância. Logo depois de nascer, o neném começa a gravar imagens dos objetos e das pessoas que o rodeiam, junto com a memória dos sentimentos e desejos suscitados por cada um: da mãe que alimenta e acaricia, da irmã que troca fralda e dá banho, do irmão que faz careta, do pai que fica distante, etc. Ao mesmo tempo está descobrindo a si mesmo como um ser distinto dos outros com sua identidade, necessidades, sentimentos e desejos próprios. E cresce assim, arquivando uma série de imagens e aprendendo por meio delas como relacionar-se consigo, com as pessoas e com o mundo, a aprendizagem mais importante da vida. É um período de muita vulnerabilidade, mas quando acontece num ambiente de muito carinho e proteção a criança se desenvolve normalmente. Mas vivemos num mundo imperfeito, cheio de pessoas limitadas e por isso nem todos os relacionamentos da infância são do tipo que produz uma personalidade integrada. As necessidades de proteção, carinho, orientação, aprovação, alimentação física, emocional e espiritual nem sempre ficam atendidas. Temos que desenvolver truques para conseguir o que queremos ou fingir que não é importante. Um desses truques são as máscaras. Um exemplo muito comum é o da pessoa que descobriu quando criança que para conseguir a atenção e carinho da mãe, precisava ficar doente. E ainda como adulto fica doente cada vez que entra em crise e sente necessidade de atenção e carinho. Pelo contrário, se o amor da mãe era do tipo sufocante, de uma superproteção que tirava a liberdade da criança, na idade adulta um homem pode sentir pânico quando uma mulher diz para ele: “Eu te quero bem”. É a imagem da mãe, gravada na infância, que está causando seu mal-estar.

As imagens de Deus
Deus é espírito e nós não temos contato físico com os espíritos. Portanto, só podemos ter algum conhecimento de Deus por meio de imagens. A Bíblia ensina que toda a criação e, sobretudo, o homem e a mulher, refletem a imagem do Criador. Para os cristãos, que acreditam na divindade de Jesus Cristo (Deus encarnado num ser humano), ele é a imagem mais perfeita de Deus. “Quem me viu, Filipe, viu também o Pai” (João,14,9). Algumas pessoas chegaram a conhecer Jesus “na carne”, mas nosso conhecimento só pode ser pelas imagens dele apresentadas nos Evangelhos. As imagens de Deus, na maioria das pessoas, começam a ser gravadas, conscientes ou inconscientemente, na infância. Se elas são positivas, suscitando sentimentos de confiança, atração, amor, o relacionamento da criança com Deus vai ser bom. Mas, se elas são negativas, do tipo que suscitam medo, raiva, indiferença, o relacionamento vai ser ruim. Nas religiões que apresentam Deus como pai, a maior influência na formação destas imagens é o pai da criança. Estas imagens podem mudar mais tarde, mas a maioria dos adultos guarda aquelas arquivadas na infância. Sua importância para a saúde reside no fato que os psicólogos e psiquiatras estão sempre admitindo que não há cura emocional completa (e, portanto, cura física) sem um relacionamento sadio com a divindade. A crescente procura neste mundo tão materialista, de alguma forma de espiritualidade, é uma prova que o ser humano tem que cultivar seu lado espiritual para ter Saúde Integral. E esta só é possível eliminando as imagens negativas do divino e de si mesmo e descobrindo aquelas que dão vida. Sugerimos uma meditação com a pergunta: “Quais as imagens que tenho de Deus?” E outra com a pergunta: “Como Deus me vê?” permitindo ao Deus do amor e da compaixão contemplar a pessoa boa e amável que você é e não as imagens que escondem seu verdadeiro EU.
CONCLUSÃO
A imaginação tem um papel muito importante na conservação ou na destruição da saúde e também no processo de recuperação. A doença vem como sinal de que algo está errado e como convite para mudar seu estilo de vida. Esta mudança não vai resultar da força da vontade, mas da identificação das imagens estressantes e perfeccionistas, das máscaras que estão suscitando as emoções que estão minando sua saúde, deixando aflorar, no lugar delas, imagens positivas de si, dos outros, do mundo e de Deus. Bom trabalho.

• Patrick Leonard é irlandês, sacerdote e terapeuta.

Suzete é Naturopata, Iridóloga e Instrutora dos Exercícios Visuais. Autora do livro: Cuide de Seus Olhos

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