Parto de Cócoras – O retorno às origens

Parto de cócarasQual seria a maneira mais natural de dar à luz? Até o século XVII, as mulheres tinham filhos naturalmente, na grande maioria dos casos, de cócoras. Hoje, as civilizadas aderiram ao parto deitado, introduzido pelos franceses, e defendido, por volta de 1700, pelo obstetra e cirurgião francês Mauriceau.
Segundo o médico e cientista brasileiro Moysés Paciornik, um dos motivos que provocaram a mudança é a comodidade da vida moderna – os bancos, cadeiras, almofadas, camas altas e veículos, que as civilizações mais primitivas não usavam, e que contribuem para o enfraquecimento da mulher, pela diminuição dos exercícios físicos. Com a fraqueza, as mulheres optaram pelo parto convencional, embora ele seja mais difícil e mais doloroso.
Para Paciornik, o método virou moda, na França, porque “a outra posição (de cócoras) era inacessível às superalimentadas, supervestidas, supercuidadas, sedentárias e pouco móveis damas da corte real”. Já nos povos primitivos, “onde a civilização não chegou para perturbar os fenômenos naturais”, as mulheres sadias “assumem, automaticamente, a posição acocorada, que, para elas, é lógica, e, sob o ponto de vista médico, certa, fisiológica”.
Pesquisador dos costumes dos índios brasileiros, especialmente dos caingangues e guaranis, Moysés Paciornik é um grande defensor do parto de cócoras tanto para as índias como para as civilizadas. Ele conta que suas primeiras descobertas, juntamente com seu filho Cláudio, sobre os benefícios do antigo método de parir surgiram com a constatação, diante de exames, de que os aparelhos genitais das índias eram muito melhores clinicamente do que os das brancas.
A partir daí, foram feitas várias pesquisas, exames e comparações que só comprovaram a suspeita: a forma de parir era uma das grandes responsáveis pelo estado saudável das índias, associada a outros hábitos, como o de descansar acocoradas, sem o uso de cadeiras, o que provoca um exercício constante dos músculos, que ficam mais fortes. Além disso, as longas caminhadas e o fato de carregarem os filhos nas costas (as caingangues), quando pequenos (com pouco peso), favorece as índias.
O parto de cócoras, de acordo com Paciornik, é muito melhor para a mulher e para o filho. É que, quando a mulher se agacha, o canal vaginal se alarga cerca de trinta por cento. E a bexiga, a uretra e o reto, puxados para cima, ficam mais protegidos e deixam o canal vazio; ao contrário da posição deitada, na qual o canal se estreita, perdendo espaço para a bexiga e a uretra, que descem, e para o reto e o canal anal, que sobem, interpondo-se à saída da criança, e ficando mais expostos, aumentando, assim, a possibilidade de lesões.
Uma das conseqüências do parto deitado é a incontinência urinária, que acomete cerca de 60% das mulheres que tiveram filhos, ao passar a menopausa. A isso soma-se a má situação dos órgãos genitais: períneos rotos, prolapsos (queda, deslocamento) de bexiga, reto e útero, além da anorgasmia. De acordo com Paciornik, a situação das índias brasileiras, que têm filhos de cócoras, é “infinitamente melhor”.
O bebê, por sua vez, também é beneficiado pela maneira primitiva de parir, considerando que o parto deitado “representa uma pesada agressão que, com freqüência, lesa o organismo fetal”. Com o canal vaginal estreitado, ele tem mais dificuldades para sair, é maior o impacto que o pólo encefálico da criança tem de suportar, e a adaptação imposta é mais intensa. Com isso, há maior risco de hemorragias intracranianas e outras complicações para os sistemas nervoso central e respiratório. No parto de cócoras, o nascimento acontece mais naturalmente. Paciornik compara as duas maneiras de ter filho a alguém empurrando um carro sem motor numa subida (parto deitado) e numa descida (de cócoras).
A preocupação com o bem-estar da parturiente e do bebê tem levado pessoas a procurar maneiras mais naturais de dar à luz. Assim, vem aumentando o número de adeptos do parto de cócoras, do parto na água e do “método Leboyer”, que encara o nascimento do ponto de vista do bebê, ensinando que ele deve entrar o mais suavemente possível neste mundo, com o mínimo de luz e de barulho, por exemplo. Na próxima edição, abordaremos estes métodos.
Embalada pela perspectiva de renovação e de melhorias que traz o ano 2.000, Saúde Integral chega à sua segunda edição. Não foram poucos os desafios encontrados no caminho até aqui, considerando, principalmente, a falta de recursos financeiros e a crise que o país atravessa, o que tem atingido os patrocinadores em potencial. Não há lugar, no entanto, para o desânimo. A caminhada deve continuar, e da melhor maneira possível.
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FONTES:
* “Aprenda a envelhecer sem ficar velho” e “Aprenda a viver com os índios” – Moysés Paciornik
* “Nascer sorrindo” – Frédérick Leboyer
• “Dicionário de Medicina Natural” – Reader’s Digest

Suzete é Naturopata, Iridóloga e Instrutora dos Exercícios Visuais. Autora do livro: Cuide de Seus Olhos

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