SUSTENTABILIDADE – UMA EXPERIÊNCIA PESSOAL

foto cachoeiraEm 1991 me divorciei e fiz uma experiência diferente com meus 2 filhos, ainda pequenos, e a babá deles – Regina, uma pessoa incrível.

Fui morar na zona rural, na Chapada Diamantina – Bahia. Um lugar belíssimo, arrodeado de montanhas e cachoeiras.

Era um lugar precário, com poucos recursos financeiros, difícil acesso e nem sequer tínhamos luz elétrica.

Eu era uma das poucas pessoas que tinha banheiro dentro de casa e uma geladeira a gás, mas a maioria conseguia passar sem isso.

Foi um grande desafio. Eu queria saber com quanto de dinheiro era capaz de viver, sem perder a comodidade nem a paz; consegui gastar muitíssimo menos e viver melhor.

As condições para gerar dinheiro eram pequenas, sobrevivia de trocas e 4 workshop terapêuticos anuais.

Às vezes eu ia trabalhar na roça para trocar pelo que a terra produzia, embora não soubesse capinar e cansava rápido, principalmente se o sol esquentava. Tinha liberdade de parar. O mais gostoso eram as companhias, as trocas de cultura e de conhecimento e ainda levar comida para casa, porque a terra produz em abundância. Tinha que inventar pratos diferentes, mesmo com poucos recursos.

Inventei um pão que era delicioso e chamou atenção da comunidade: parecia pão de queijo. Mas se quer queijo continha! Apenas mandioca, um pouco de óleo e sal marinho. Outra coisa gostosa era o pirê feito com caroço de jaca. Um outro dia eu passo as receitas.

Pense bem, alimentos gostosos, nutritivos e produzidos enquanto brincávamos de trabalhar, com a liberdade de parar, conversar, gargalhar e ainda com a participação das crianças…

Na região havia muitas pessoas que vieram de várias partes do mundo, desencantados com o capitalismo selvagem e sensibilizados com o sofrimento do planeta e em geral, falávamos a mesma linguagem porque queríamos todos nos auto-sustentar na zona rural, cuidar da terra, do lixo e oferecer uma vida digna para nossos filhos: sem violência, sem competição, melhor qualidade do ar, da alimentação e ainda queríamos que eles ficassem em nossas companhias, participassem dos nossos trabalhos em vez de ser educados pela televisão ou pela babá. Sabíamos que cada fase da vida deles iria passar e nunca mais voltaria, queríamos compartilhar e educá-los com respeito.

Éramos a favor da liberdade responsável.

Não todos, mas eu fazia parte do grupo que dizia não às drogas e ao sexo sem amor, porém gostava muito de andar sem roupas principalmente quando estava banhando-me numa deliciosa cachoeira.

O rio era o momento dos encontros e dos talentos, um tocava flauta, outro o violão, ainda tinha o cantor. Quem vinha da cidade trazia as notícias. Éramos terapeutas atualizados porque alguns iam buscar conhecimentos em outros países e nos passavam gratuitamente.

Esta vida me trazia muita alegria, bem estar e se ficasse por lá, vindo para a cidade uma vez por mês, trabalhando por uma semana, dava até para “fazer fortuna”, porque não havia desperdícios, precisamos de muito menos porque nossa comunidade não exigia, por exemplo, roupas de marca, nem carro do ano…

Foi uma fase linda e lá aprendi o que faculdade nenhuma me daria.

VIVA A VIDA!!!

Suzete é Naturopata, Iridóloga e Instrutora dos Exercícios Visuais. Autora do livro: Cuide de Seus Olhos

Contato: suzete@saudeintegral.com

Sites: www.saudeintegral.com, www.iridologiasp.com.br e www.metodobates.com.br